PENSAMENTOS OBSESSIVOS APÓS O NASCIMENTO DOS FILHOS AFLIGEM TAMBÉM OS HOMENS
Não são só as mulheres que estão sujeitas a depressão pós-parto logo após o nascimento de seus filhos. Os homens também. Essa é a mais nova descoberta do estudo publicado em setembro por pesquisadores da conceituada Clínica Mayo, nos Estados Unidos, no Jornal Americano de Psicologia Clínica (Journal of Clinical Psychology in Medical Settings).
Em uma pesquisa realizada com 300 casais que acabaram de ter filhos, os entrevistados foram questionados dentro se sete categorias de pensamentos distintos – a possibilidade do bebê morrer sufocado, acidentes, acidentes intencionais, contaminação, doenças, morte da criança durante a noite e pensamentos sexuais inaceitáveis. A intenção era saber se perguntas como “Será que meu filho vai morrer sufocado durante a noite” ou “E se eu afogar o bebê durante o banho?” passavam pela mente dos entrevistados. Os resultados surpreenderam – 69% das mães e 58% dos pais admitiram ter pensamentos semelhantes.
Segundo o doutor Isaac Efraim, psiquiatra especializado em consultoria comportamental, autor do livro "Tudo o que a Grande Mente Capta" sobre comportamento e organização mental, “a presença de pensamentos obsessivos recorrentes em pais não é normal, podendo ser indicativo de forte desequilíbrio emocional, ligado a estados depressivos, ansiosos, fóbicos ou mesmo pré-psicóticos”. Para ele, “tal problema acontece com alguma freqüência em momentos de stress, tensão e depressão, porém não saber diferenciar tais pensamentos da possibilidade de efetivá-los, fala a favor de um estado de pré-loucura, onde o tratamento medicamentoso se faz necessário de forma urgente”.
O fato de pais também terem esses pensamentos afasta o debate da crença anterior de que esse era um problema exclusivamente feminino ocasionado por flutuações hormonais após o nascimento do bebê. A presença de sintomas semelhantes no sexo masculino sugere que os sintomas estejam ligados exclusivamente a questões emocionais e psicológicas, revelando uma grande suscetibilidade emocional, ligada não ao parto, mas sim ao nascimento de um novo membro na família, ao sentimento de ciúmes, de perda de atenção.
Segundo o médico, o nascimento de um bebê para o homem é um momento de stress, de contato com o novo, de aumento de responsabilidade e de perda de atenção da esposa e de outros familiares, que se voltarão mais para a mãe e para o bebê. Estes sintomas costumam ocorrer em momentos de ruptura, de mudanças bruscas, de quebra e principalmente de perda. Estão ligados a sensações e sentimentos depressivos, de uma forma geral costumam ser fugazes e passageiros.
Como forma de se tratar o problema, Dr. Isaac recomenda a luta contra tais pensamentos quando eles ocorrerem, se questionando que sentimentos são estes e tentando achar um modo de aceitá-los, de aprender a dividir espaço e atenção e, acima de tudo, de não permitir que inseguranças tomem conta de seu espírito. Porém, se os pensamentos forem muito intensos, a ponto dos pais acharem que correm o risco de machucarem os filhos, ou se durarem mais de dois meses, o psiquiatra recomenda tratamento médico e psicológico.